Além das opiniões de congresso — dados, lacunas e a pergunta que ninguém está fazendo.
Todo mundo tem uma opinião sobre RATS vs VATS. Cirurgiões defendem plataformas. Gestores olham custo. Residentes escolhem serviços por percepção. O problema é que opinião e evidência são coisas diferentes — e a literatura de 2025–2026 já tem dados suficientes para uma conversa mais honesta.
O estado real da evidência
A cirurgia torácica robótica tem segurança e eficácia demonstradas — mas a evidência ainda é limitada pela ausência de grandes ensaios randomizados com desfechos de longo prazo. Isso não é crítica. É um estado da arte que precisa estar na conversa.

Onde o RATS tem vantagem real
Dois pontos se destacam de forma consistente nos dados prospectivos agrupados: menor perda sanguínea (diferença média de −17ml) e maior número de estações de linfonodos amostradas (+1,07). Em oncologia torácica, estadiamento mais completo significa decisão adjuvante mais informada — e a diferença entre N1 e N2 não é semântica.
"Menor perda sanguínea e estadiamento mais completo. Dois pontos com impacto oncológico direto."
Onde o VATS segura o argumento
O RCT RVlob (n=320) demonstrou não inferioridade do RATS para sobrevida global em 3 anos: 94,6% vs 91,5%. Em desfecho oncológico principal, os dois se equivalem. Mas o mesmo ensaio mostrou algo que aparece menos nas apresentações: o RATS levou mediana de +20,6 minutos de tempo operatório. Para um centro de alto volume, isso é ocupação de sala e custo anestésico — não é detalhe.

A curva de aprendizado que ninguém cita
A síntese da literatura aponta proficiência técnica em aproximadamente 25 casos (média 25,3 ± 12,6), com convergência de tempos e desfechos a partir desse ponto. Antes disso, os resultados do RATS não são comparáveis com os de um cirurgião experiente em VATS — e o paciente está nessa curva junto. Esse dado tem implicação direta em credenciamento de centros e supervisão de residentes.
A pergunta certa
Na próxima vez que alguém perguntar "você prefere RATS ou VATS?", a resposta mais honesta não é uma preferência — é outra pergunta: qual é o volume anual do serviço, qual é a curva de aprendizado atual e o que a literatura do perfil específico de paciente diz?
"Tecnologia sem critério não é evolução. É preferência com instrumentos melhores."
Referências
- A curva de aprendizado que ninguém cita A síntese da literatura aponta proficiência técnica em aproximadamente 25 casos (média 25,3 ± 12,6), com convergência de tempos e desfechos a partir desse ponto. Antes disso, os resultados do RATS não são comparáveis com os de um cirurgião experiente em VATS — e o paciente está nessa curva junto. Esse dado tem implicação direta em credenciamento de centros e supervisão de residentes. A pergunta certa Na próxima vez que alguém perguntar "você prefere RATS ou VATS?", a resposta mais honesta não é uma preferência — é outra pergunta: qual é o volume anual do serviço, qual é a curva de aprendizado atual e o que a literatura do perfil específico de paciente diz? "Tecnologia sem critério não é evolução. É preferência com instrumentos melhores."
- Jesani et al. Robotic thoracic surgery — current evidence and perspectives: a narrative review. Current Challenges in Thoracic Surgery. Dez 2025. https://ccts.amegroups.org/article/view/109850/html
- Ueno H et al. Lobectomy for primary lung cancer: a comparison of perioperative and postoperative outcomes between RATS and VATS. Surg Today. 2025. PMCID: PMC12339585. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC12339585/
- Frontiers in Oncology. Perioperative outcomes of robot-assisted versus video-assisted thoracoscopic surgery for non-small cell lung cancer: a meta-analysis focusing on real-world clinical studies in the past 10 years. 2026. https://www.frontiersin.org/journals/oncology/articles/10.3389/fonc.2026.1835395/full
- PMC. Robotic versus video-assisted thoracoscopic lobectomy/segmentectomy: multilevel analysis in Japan. EJMCTS. 2026. PMCID: PMC12854723. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12854723/

